Dia dos Missionários Mártires
O 12° Dia de Oração pelos Missionários Mártires
da Caridade: a coragem de levar o Evangelho colocando em risco a própria
vida.
Segundo a última atualização publicada pela Agência Missionária Fides, foram 36 entre bispos, religiosos, irmãs e leigos os que perderam a vida de forma violenta em 2003, para servir à causa do Evangelho. Como recordou o Papa na audiência geral, o 12º. Dia de oração e jejum que se celebra nesta quarta-feira convida os fiéis a fazer memória destes mártires, mas também a refletir sobre o sentido de um apostolado que chega inclusive a sacrificar a vida, num mundo que tem necessidade extrema de construir a paz. Para nos ajudar a refletir sobre a comemoração de hoje e sobre o que significa ser missionário em zona de guerra, a Rádio Vaticano entrevistou o missionário xaveriano Padre Cláudio Marano que há muitos anos vive em Burundi.
Pe. Cláudio Marano, sx Servir à causa do Evangelho é antes de tudo um serviço. Penso que hoje deveríamos insistir mais neste aspecto. O missionário parte de uma Igreja e vai a serviço de uma outra Igreja: não vai fazer coisas espetaculares, mas aquilo que a outra Igreja pede e está vivendo. Ir para zonas de guerra, lugares difíceis, não seguras, comporta também a coragem de dar a vida.
RV - O senhor, no trabalho que desempenha, corre risco de vida?
Pe. Cláudio Marano, sx Eu pessoalmente, sim. Cada manhã, quando me levanto, agradeço a Deus por ainda estar vivo. Mas a cada instante, a cada dia, olhando-me no espelho, digo a mim mesmo: Pode ser que esta tarde eu já não esteja mais aqui.
RV - E como os missionários conciliam a coerência ao próprio chamado com o medo, este sentimento tão humano, quando a vida corre perigo?
Pe. Cláudio Marano, sx Eu vivo numa região que está em guerra. Já fazem 11 anos que estamos em guerra. Aqui em nossa região já foram mortas 15 mil pessoas. Um dia ou outro pode chegar a minha vez. Desde o início eu disse que era inútil falar deste assunto: aqui precisamos viver. Fui enviado a este centro para testemunhar a paz. Portanto, devo viver aquilo que o povo vive, aquilo que os jovens vivem. Foi isto que sempre colocamos como problema, mas também como solução. Enquanto na cidade, em Bujumbura, em Burundi, muitos partiram porque tinham medo ou porque não era esta a sua vocação, nós aqui permanecemos e aqui estamos há 11 anos. Com isto já nos tornamos burundineses, o povo nos respeita e nos diz: Vocês viveram conosco, vocês sabem de tudo.
RV - Hoje se celebra o 12º. Dia de oração e jejum em memória dos missionários desaparecidos. O que estes mártires, incluindo entre eles o núncio Dom Courtney, podem nos dizer, a nós cristãos que também devemos arriscar a vida para testemunhar o Evangelho?
Pe. Cláudio Marano, sx - Eu acho que este Dia pode nos dizer muita
coisa. Quando me encontro na Itália e vejo todas as dificuldades que
ali existem mas vejo também todos as lamentações
de muitos cristãos, que têm medo talvez de se comprometer ou de
levar a sério a própria vida diria que este Dia poderia
nos ajudar a pensar que no mundo existe, ao invés, muitas pessoas que
levaram a sério a própria vida: Cristo, o primeiro de todos. E,
portanto, um convite a colocar-nos num caminho que nos faça pensar seriamente
inclusive em doar a própria vida. Obviamente, não é correto
pensar que todos foram chamados a sacrificá-la, mas para muitos, no mundo,
esta é a opção de vida. Nós, missionários,
nos pusemos pelas estradas do mundo: se um dia chegar a nossa vez, aceitaremos.
Radio Vaticano
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